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BARCOS SOLARES DA ALGARVIA SUN CONCEPT NAVEGAM ATÉ À…

São 100 por cento elétricos, retiram a sua energia do Sol – que nasce todos os dias e é para todos – e podem servir para os mais variados fins, desde a utilização para a pequena pesca até à promoção de atividades marítimo-turísticas.

Os estaleiros olhanenses Sun Concept foram criados com o objetivo de revolucionar o mercado da construção naval, tornando-o mais verde, e o valor ecológico das embarcações ali construídas já foi reconhecido com a sua escolha para finalista da edição de 2016 dos Green Projets Awards Portugal.

Os barcos solares da empresa sediada em Olhão, criada há cerca de ano e meio, foram o único projeto algarvio selecionado para o restrito grupo de finalistas destes prémios, atribuído anualmente pela consultora GCI, pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela associação Quercus.

A disputar a vitória final deste concurso, na categoria Agricultura, Mar e Turismo, está o SunSailer 7.0, um dos modelos disponibilizados pela Sun Concept.

Esta é apenas uma das embarcações construídas pela empresa algarvia. O portefólio da Sun Concept conta com barcos de diferentes tipologias e caraterísticas, a piscar o olho a destinatários bem distintos. Cada qual tem as suas particularidades, mas todas têm o denominador comum de serem construídas de forma a serem competitivas, ao nível do preço, com aquilo que já existe no mercado.

«Tentamos entregar aos nosso clientes um produto que seja mais eficiente e dos novos tempos e que é competitivo em relação ao que existe, em termos de motores de combustão. Procuramos ter o mesmo preço, com mais eficiência, já que esta é uma embarcação não poluente e amiga do ambiente, porque não consome hidrocarbonetos e praticamente não emite ruído», resumiu Manuel Brito, proprietário da Sun Concept, em entrevista ao Sul Informação.

Uma das caraterísticas mais atrativas destes barcos é o facto de «não gastarem nada». «Anda-se, anda-se e anda-se, mas o consumo de combustível é zero», revelou. E até de noite se pode andar, já que os Sunsailers da empresa olhanense estão equipados com baterias, que acumulam a energia captada do Sol.

«Captamos a energia do Sol, que, por sua vez, carrega um conjunto de baterias, que alimentam os motores elétricos. A autonomia, que é um dos conceitos em que estamos a apostar, é ilimitada. Ao contrário dos automóveis elétricos, que têm um problema de autonomia, que vai sendo resolvido aos poucos, nós apostámos na colocação de painéis», assegurou.

No caso dos carros elétricos, as baterias vão-se esgotando, o que obriga a um período de inatividade da máquina, para carregar. «No caso dos nossos barcos, o conceito, na minha visão, é muito mais evoluído. É o Sol que carrega as baterias e enquanto houver sol, há sempre energia», disse Manuel Brito.

E nem sequer precisa de estar um dia soalheiro para que as baterias carreguem. «Nós todos sabemos que, quando vamos à praia e está nublado, sentimos que nos queimámos à mesma», ilustrou. Ainda no passado sábado foram promovidos passeios noturnos num Sunsailer, em Faro, numa iniciativa do Centro de Ciência Viva do Algarve.

«A nossa ideia foi criar uma autonomia de 8 a 9 horas, sem sol, ou seja, de noite. Isto permitirá às embarcações navegar de forma infinita», garantiu. Mesmo assim, os barcos «permitem o carregamento em marina, através da rede elétrica».

Esta autonomia é garantida para a velocidade de cruzeiro das embarcações, que são «5,5 nós, cerca de 12 quilómetros por hora». A embarcação vai até aos 7 nós, mas, se andar muito tempo à velocidade máxima, «a autonomia reduz-se para cerca de metade».

Este desempenho tem tendência a melhorar, já que há uma aposta cada vez maior na automação elétrica, a nível mundial, que faz prever avanços tecnológicos, no curto ou médio prazo, e uma redução dos custos. Manuel Brito conta com eles para melhorar os produtos e lançar novas embarcações.

«Em relação aos painéis solares, é esperada uma evolução positiva, mas não radical. Ou seja, é esperado aumento gradual da eficiência ao nível da captação e que possam ter configurações mais úteis, que possam ser moldáveis e não sejam rígidos. Já nas baterias, que é a questão essencial, esperamos que as baterias de lítio [as mais eficientes] venham a ter uma redução de preços para um terço do atual», ilustrou.

A partir do momento em que esta tecnologia estiver a um preço mais acessível, «podemos melhorar a autonomia e velocidade em conjunto». «Os motores já estão num estado muito evoluído, há de várias potências», disse.

Até porque a ideia é não fugir muito ao preço atual de um Sunsailer, «35 mil euros mais IVA, para um barco de sete metros», para que este seja acessível ao maior número de bolsas possível. «A nossa aposta é chegar a todos. Considero que somos a primeira empresa a nível mundial a produzir embarcações eletrossolares com preço acessível e com uma autonomia elevada. Nós procurámos ter um preço adequado, com um único senão, a velocidade limitada. Mas vamos melhorar muito neste aspeto», assegurou.

«Estamos a pensar em novos modelos e a fazer um grande esforço para apresentar uma nova embarcação até ao Verão, mais comprida – 10 a 12 metros -, com capacidade superior às 12 pessoas do nosso maior barco atualmente e uma velocidade a rondar os 10 nós. Aqui, provavelmente, teremos duas opções: motorização com baterias de chumbo, a um preço mais baixo, e outra com baterias de lítio, que ficará mais dispendioso», revelou.

Este modelo é criado a pensar, também, nas empresas marítimo-turísticas, mesmo aquelas que operam na linha de costa e até no mar alto, uma vez que muitos dos modelos da Sun Concept já tem capacidade para sair das águas mais calmas.

SUNSAILER JÁ VIAJA PELO PAÍS E DÁ BOLEIA A GARÇAS DA RIA FORMOSA

Os barcos solares da Sun Concept são construídos a poucas centenas de metros da Ria Formosa, uma área protegida onde as suas caraterísticas verdes podem ser particularmente úteis. A sensibilidade dos ecossistemas existentes neste sistema lagunar é elevada e a circulação em barcos elétricos ajuda, por um lado, à manutenção da qualidade da água da ria e, por outro, contribui para diminuir os níveis de stress dos seus muitos habitantes, ao reduzir quase a zero as emissões de ruído.

«Nestas zonas de ria e de estuário, há fauna que é sensível ao ruído e cada vez há um número mais elevado de embarcações a circular. A continuar assim, a nidificação de aves e as posturas dos peixes nesses locais vai ficando cada vez mais em risco», ilustrou Manuel Brito. No caso dos barcos solares, o seu desempenho silencioso até convida algumas aves mais corajosas a apanhar boleia.

Desta forma, os barcos da Sun Concept piscam o olho não apenas ao mercado algarvio, mas ao de todos as zonas lagunares e estuarinas do país e (porque não) por esse mundo fora. Curiosamente, apesar destes serem barcos “filhos de Olhão”, é fora do Algarve que têm gerado mais entusiasmo.

«Lançámos o primeiro produto para o mercado em Março de 2016, ainda estamos numa fase de divulgação dos produtos. Atualmente, andamos em roadshow e temos feito um esforço muito grande. Estivemos recentemente em Cerveira, na fronteira com a Galiza, onde promovemos uma apresentação em conjunto com a Fundação Inatel e oferecemos viagens às pessoas interessadas. Ficou acordada a venda de uma embarcação a uma marítimo-turística que opera no Rio Minho», contou Manuel Brito.

Uma semana antes, a Sun Concept tinha promovido uma ação semelhante na Foz do Arelho, Lagoa de Óbidos, «que também foi um sucesso». «Fizemos oito viagens com a embarcação sempre repleta de pessoas», disse. Entretanto, a Sun Concept já esteve a mostrar os seus Sunsailers em Vila Nova de Gaia e em Lisboa, onde esteve durante a Web Summit.

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por Hugo Rodrigues

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PARCERIA | GRUPO SIROCO

De forma a desenvolver e ampliar a capacidade comercial da empresa assim como a sua maior proximidade ao público, a Sun Concept estabeleceu um protocolo de cooperação com o Grupo Siroco (https://www.facebook.com/grupo.siroco/), dado o reconhecimento que existe em torno da sua reputação obtida ao longo de anos de trabalho na náutica com profissionalismo e credibilidade reconhecida internacionalmente. Fazem parte do Grupo a Siroco Equipamentos, Siroco Yacht Brokers, a Sea Way e a Sea Sky – Portugal Charter, um leque de empresas que cobre desde a área de representação da marca Sun Concept e fornecimento de materiais e equipamentoa de construção naval até à operação marítimo-turística, a partir das regiões de Lisboa e Porto.

A parceria Sun Concept – Siroco é um exemplo do modelo de simbiose que procuramos desenvolver, uma partilha de experiências, conhecimentos e riscos que, uma vez combinados, geram sinergias muito positivas quer para os clientes que procuram embarcações eletro solares como para os fans de experiências alternativas mais sustentáveis em termos de recreio e lazer.

Entre outubro e novembro de 2016 a Siroco foi um adas partes envolvidas no projeto de comunicação #TheunnySideofLife que se baseou na apresentação do projeto empresarial da Sun Concept e dos modelos SunSailer 7.0, onde também foi possível levar os nossos fans e clientes a experimentar o barco solar SunSailer MT na foz do Douro, a partir da Douro marina em Gaia e em pleno rio Tejo, a contemplar Lisboa entre Alcântara e o Terreiro do Paço.

Por cortesia da Siroco, via SeaWay, é também possível agendar em qualquer momento uma visita para conhecer de perto o SunSailer MT que estará disponível em Lisboa na Doca do Espanhol em Alcântara.

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EVENTO THE SUNNY SIDE OF LIFE COM A FUNDAÇÃO…

A Sun Concept, Solar Boat Builders é uma empresa de construção naval eletro-solar. A preocupação com o ambiente e a promoção de modos de vida sustentáveis são os objetivos principais, objetivos com os quais a Fundação INATEL se identifica.

A apresentação do mais recente barco aconteceu na INATEL Foz do Arelho e nós mostramos-lhe tudo, sem esquecer o passeio.

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SUN CONCEPT NA IMPRENSA: O SOL QUANDO NASCE APROVEITA-SE

Navegar, navegar e nada gastar, nada desperdiçar, tudo poupar: combustível, ambiente, recursos naturais, comunidades. É assim que o projecto da Sun Concept, que desenvolve barcos solares para recreio, actividades marítimo-turísticas e pesca, se lança às águas tantas vezes turvas do mercado nacional, aliando inovação tecnológica, design industrial e sustentabilidade. O VER embarcou na viagem de apresentação do SunSailer, na Lagoa de Óbidos. Bem-vindo a bordo de uma reportagem que revela a luz das ideias mais simples, as que brilham sobre as pessoas e sobre o planeta. Porque osol quando nasce é para todos, e todos o podemos aproveitar.

No que respeita à ideia feita de que o dono de um barco tem duas alegrias na vida – quando o compra e quando o vende – a tradição já não é o que era. Se a aquisição, quer para fins profissionais ou para recreio, implicava até agora um esforço financeiro e logístico de tal ordem que significava, só por si, um pesado problema, hoje há uma alternativa às embarcações convencionais que, pelo menos em relação ao consumo e à manutenção, se revela bem leve.

Desde Março de 2016, há um projecto nacional que se materializa em barcos movidos a energia solar, planeados de raiz para serem custo-eficientes, silenciosos e ecológicos, e que resulta da sinergia entre inovação tecnológica, design industrial e sustentabilidade.

A ideia nasceu de “uma conversa de bar que se transformou numa conversa de barco”, entre um biólogo, um construtor naval e um contabilista, e rapidamente a intenção de apostar na produção em série de um barco que não enchesse a Ria Formosa de barulho e poluição ganhou escala ao nível do planeamento e, com recurso a capitais próprios do núcleo fundador, resultou na constituição (em Maio de 2015) e desenvolvimento da empresa Sun Concept, que investiu, “até à data, perto de meio milhão de euros”, como adianta ao VER o seu director de Estratégia e Sustentabilidade, Nuno Gaspar de Oliveira.

Hoje a primeira empresa portuguesa de embarcações eletro-solares e uma das primeiras, mundialmente, a trocar a fase de protótipo pela comercialização, disponibiliza para o mercado três modelos da linha SunSailer 7.0 – para recreio (S), actividades marítimo-turísticas (MT) e pesca (PRO) – que, com sete metros de comprimento, dois motores eléctricos de seis cavalos alimentados por um banco de quatro baterias que se carregam através de seis painéis foto-voltaicos (ou cinco, no caso da versão PRO) instalados na própria embarcação, e um casco patenteado com um calado de 40 centímetros desenhado para não deixar rasto (e assim, não agitar as águas, respeitando os ecossistemas), se destinam à utilização em zonas costeiras protegidas e zonas lagunares e ribeirinhas, como rias, estuários, rios, lagoas e albufeiras.

Até 2018 o objectivo mínimo é ter no mercado vinte SunSailers

Atingindo uma velocidade cruzeiro de cinco nós e máxima de 7 nós (aproximadamente entre 10 a 13 km/h), estes barcos têm uma autonomia sem sol de seis a oito horas, e infinita na presença dos raios do astro-rei, mesmo com nevoeiro, já que “quanto mais andam menos gastam” como assegura Manuel Brito, CEO e principal investidor.

E este é o grande trunfo do SunSailer: não precisa de combustível. Com um nível de consumo zero, que se traduz também em zero emissões de gases de efeito de estufa, numa redução de 95% nos níveis de ruído e numa manutenção 80% mais barata do que a de um barco convencional (porque também não precisa de óleo, filtros ou velas), o barco solar concebido pela empresa de Olhão poupa 15 a 20 mil euros anuais, comparativamente a uma actividade marítima turística que navegue 500 a 600 horas por ano, com um motor tradicional de 50 cavalos.

Os preços, equiparados aos de embarcações idênticas com motores de explosão, variam entre os 24 600 euros (sem IVA), para a versão destinada a pescadores, mariscadores e viveiristas, com uma lotação de seis pessoas, os 32 400 euros (sem IVA) para a versão de recreio, para oito pessoas, e os 37 700 euros (sem IVA) para o barco com maior lotação (12 pessoas), dirigido aos operadores turísticos que operam em zonas de águas calmas ou protegidas, o target mais promissor do visionário projecto.

É um barco que faz pontes

A pequena vila da Foz do Arelho, no concelho do Oeste das Caldas da Rainha, acordou ensolarada surpreendendo quem a conhece pelo seu instável microclima, na manhã de 8 de Outubro, dia de apresentação do projecto da Sun Concept. Desde a véspera, o SunSailer MT aguardava, à entrada do Hotel da Fundação Inatel, o raiar do sol para brilhar na bela Lagoa de Óbidos, onde proporcionou vários passeios ao longo da tarde.

Perante uma audiência de muitas dezenas de participantes, entre autarcas, representantes de associações ambientais e do sector energético, potenciais investidores turísticos e utilizadores dos serviços destes barcos bem como alguns curiosos, Nuno Gaspar de Oliveira, Manuel Costa Braz, administrador e João Bastos, director comercial da Sun Concept, entusiasmaram os presentes com o dinamismo e coesão da equipa que se aventurou nesta viagem “por carolice” e que quer navegar bem longe, para lá da costa portuguesa, contando já, para o efeito, com dez trabalhadores dedicados ao desenvolvimento e produção das embarcações a partir do estaleiro de Olhão.

Orgulhoso pela chancela nacional do barco mais sustentável de Portugal, Manuel Costa Braz adiantou à plateia que a Sun Concept tem na calha a construção de “um estaleiro junto à Ria Formosa totalmente auto-sustentável”, que utilize exclusivamente “energia ecológica” (eólica ou solar), e que permita rentabilizar o estacionamento dos barcos adquiridos à empresa, sempre ligados à corrente, aproveitando a energia eléctrica gerada para o consumo do estaleiro e diminuindo, assim, os custos de logística dos proprietários.

A construção de um estaleiro ecológico na Ria Formosa pode ser o epicentro de um novo pólo de desenvolvimento regional sustentável

Sublinhando também a sustentabilidade do projecto, João Bastos explicou como o SunSailer “consegue navegar com uma linha de água mínima” (os referidos 40 cm), o que permite que “o casco se movimente sem deixar esteira” (rasto), protegendo deste modo os vulneráveis ecossistemas das zonas lagunares e ribeirinhas e diminuindo radicalmente a perturbação para as outras embarcações, assim como para os banhistas. E retratou como este barco solar é tão silencioso que todos quantos nele embarcam (incluindo a própria equipa da empresa, na fase de testes) perguntam se o barco já está a trabalhar.

Contanto com o Grupo Siroco como parceiro de negócio, o projecto da empresa algarvia disponibiliza neste momento barcos “ideais para turismo, numa perspectiva mais empresarial ou de lazer, se pensarmos também em utilização pessoal”. Porém, estes mesmos barcos, especialmente o SunSailer MT, com os seus 12 lugares, são ideais também para serviços de transportes, do tipo táxi, para fazer a ligação entre comunidades ribeirinhas ou fornecer serviços sociais, por exemplo, no apoio a crianças, jovens e idosos, quer como meio de transporte quer para actividades de educação ambiental ou de animação cultural.

Como explica ao VER o director de Estratégia e Sustentabilidade da Sun Concept, “é um barco que faz pontes, leva as pessoas a cruzar margens a custo zero”. Tanto entre duas partes de uma cidade, como em Vila do Conde ou Aveiro, como entre regiões de países irmãos, como o Alto Minho e a Galiza ou nas margens do Guadiana internacional, “entre tantas outras oportunidades para estabelecer pontes solares entre sítios e pessoas”.

Mas ainda ao nível do turismo, “algo que temos vindo a detectar é que muitas unidades hoteleiras ou pequenos clusters de turismo rural têm falta de oferta em termos de actividades próprias e, quer no uso directo (compra do barco) ou no uso indirecto (compra de serviços a quem tenha o barco) podem beneficiar muito de ter uma oferta complementar de lazer, recreio ou de observação de vida selvagem”, conclui Nuno Oliveira.

Também em termos de actividades ligadas à pesca e aos recursos naturais, os mentores do SunSailer esperam que estes barcos, “numa forma mais simplificada e melhor adaptada”, possam servir para pescadores de águas abrigadas, mariscadores, apanhadores de algas, aquicultores e para actividades ligadas à protecção da natureza, como vigilância de áreas naturais, monitorização de biodiversidade, salvamentos de animais, controlo de plantas exóticas e investigação, “entre tantos outros fins como aqueles que se queiram imaginar”. De facto, também aqui o sol quando nasce é para todos.

WAIT AND SEA

Mas como poderão as empresas de actividades marítimo-turísticas e de pesca das comunidades instaladas em zonas de águas calmas ou protegidas ficar sensibilizadas para a sustentabilidade deste projecto, e de que incentivos poderão estes pequenos negócios locais vir a beneficiar no âmbito deste investimento?

A aquisição de um SunSailer “não é assim tão diferente” da aquisição de uma outra embarcação para os mesmos fins, em termos de actividade socioeconómica, garante Nuno Oliveira. Afinal, “todos os barcos custam dinheiro, mas enquanto uns custam ainda mais dinheiro enquanto se movem, o nosso poupa de forma inacreditável, permitindo que grandes somas correspondentes aos custos evitados com combustíveis e impostos possam ser reservadas para o bem-estar das pessoas e famílias” que apostarem no projecto. Já para não falar “na quantidade de dias de trabalho adicionais que podem ter, nomeadamente no ramo do turismo e lazer”. Por exemplo, um casal que queira, em época baixa, dar um passeio numa marítimo-turística vê muitas vezes o seu direito negado por razões simples: o serviço não ‘paga’ o combustível. Se não houver combustível para pagar, o operador pode sair sempre que quiser ou precisar, mesmo que leve apenas uma passageiro solitário, esclarece.

A Sun Concept apoia os estudantes do Técnico Solar Boat, que estão a construir um barco solar de corrida

Para o especialista em Sustentabilidade, o crescimento de apoios para o desenvolvimento regional, economia de baixo carbono e mobilidade suave/eléctrica “irá ser muito benéfico”, ao permitir que os interessados submetam projectos “até com objectivos mais ambiciosos do que teriam se comprassem os barcos com fundos próprios, podendo assim beneficiar dos estímulos a uma economia mais verde”.

Mesmo sem esses incentivos (ainda), a Sun Concept já vendeu três embarcações – dois para a Ria Formosa e um para o

Douro – e conta fechar dois novos contratos, no Algarve e no médio Tejo, tendo em análise “mais de uma dúzia de pedidos de informação”.

Até ao final do ano a expectativa é de ter pelo menos mais cinco embarcações encomendadas para começar a entregar a partir dos meses de Março e Abril, “altura em que efectivamente começa a haver venda de barcos”, perspectiva também Nuno Oliveira. Trata-se de “um produto muito sazonal, apesar de poder ser negociado em qualquer altura do ano” e, naturalmente, o grosso das vendas dá-se na primavera, antecipando o principal uso, durante o verão. De qualquer forma, e até 2018, “o nosso objectivo mínimo é ter no mercado vinte SunSailers… e mais qualquer coisa”, prevê.

De resto, a empresa tem, desde o seu arranque, planos para desenvolver outro tipo de embarcações solares, como por exemplo catamarans de 12 ou 18 metros, com capacidade de sair a mar aberto e transportar 30 ou 40 pessoas, seja para ir ver golfinhos e baleias ou para chegar a outros destinos. E, no desenrolar deste ano, acabou por desenvolver “uma relação muito estreita” com a equipa do Técnico Solar Boat, um grupo de estudantes do Instituto Superior Técnico que estão a construir um barco solar de corrida para a Monaco Solar1 Race, entre outras provas: “somos patrocinadores desta equipa pluridisciplinar e, em troca, temos obtido um grande apoio em termos de apontamentos e ideias para o desenvolvimento de novas embarcações. É uma parceria para crescer e que vai dar que falar”.

Neste sector da náutica também acontece com frequência o pedido de projectos especiais, como o de um cliente “que queira um barco de rio para levar 60 pessoas por essa Europa fora… ou fora desta Europa. Tudo pode acontecer”, diz, entusiasmado, o responsável pela estratégia da empresa de construção de embarcações eletro-solares.

No que toca a perspectivas de internacionalização do projecto, numa primeira fase (dois anos) a Sun Concept pondera explorar ao máximo o mercado nacional e iniciar a expansão para Espanha, “por estar mesmo aqui ao lado e por ter um território com valências muito semelhantes”. Paralelamente, o espaço da União Europeia, incluindo os países a norte da mesma e a expansão a leste, “afigura-se como um mercado imenso que nos vai obrigar a afinar modelos e estratégias mas que, a médio e longo prazo, se revelará fundamental para o nosso crescimento sustentável”.

O que não descarta que seja “com bons olhos que imaginamos barcos nossos na baía de Guanabara, no lago Titicaca, a descer o Nilo, a ligar as ilhas tailandesas, nos mil lagos filandeses, no delta do Danúbio, no estuário do Mekong… o mundo é um sítio grande e o sol é o maior denominador comum de todos”, conclui Nuno Oliveira.

Por cá, o sonho a médio prazo passa pelo lançamento do estaleiro ecológico da Ria Formosa, “até porque só com um estaleiro adequado é que podemos criar os novos modelos e capacidade de resposta ao crescimento e diversificação”. Trata-se de “um projecto ambicioso” que assenta em três premissas: restauro de áreas urbanizadas e degradadas; construção com materiais e técnicas sustentáveis e, “claro está”, independência energética. “Ainda não temos muito para revelar, mas podemos adiantar que será uma pequena revolução em termos da logística de marina, e pode ser o epicentro de um novo pólo de desenvolvimento regional sustentável”.

Perante tantas e tão boas expectativas, o melhor é wait and ‘sea’, como brinca o responsável. Até lá, muitos serão os passeios de divulgação deste barco solar, sob o mote ‘Pode um barco solar mudar o conceito de turismo?’. O próximo acontece já no dia 15 de Outubro, em Vila Nova de Cerveira.

Somos os últimos a despedirmo-nos do sol

Nuno Gaspar Oliveira é não só o director de Estratégia e Sustentabilidade da Sun Concept como um especialista nas questões da sustentabilidade, biólogo, consultor e responsável de gestão estratégica de serviços nas áreas de ecologia e ecossistema. Acima de tudo, é um amante inveterado da vida, da natureza e do planeta. À margem do lançamento do novo barco solar que já navega em Portugal, o VER colocou-lhe, a partir das suas próprias convicções, quatro questões de fundo, e sem fundo no que respeita à navegação futura desta ‘casa global’ que é a Terra.

Que oportunidades reais, ao nível da sustentabilidade, pode criar “uma economia dos ecossistemas”?

Um ecossistema natural é um sistema perfeito, gera valor enquanto funciona, depura erros, resolve problemas, cria oportunidades, inova formas e funções. Essa é a nossa maior inspiração, mimetizar o que a natureza faz com sabedoria e milhões de anos de experiência.

Imaginem um barco solar que inspira a mudança e, em breve, toda uma região está gradualmente a substituir os seus meios de transporte convencionais por alternativas mais sustentáveis. Todos os impactes que existiam em termos de poluição, ruído, stress, custos económicos com a dependência energética, entre outros custos societais, irão desaparecendo e sendo substituídos por objectos de forma e função mais harmoniosa, melhor enquadrada com o seu meio e a gerar bem-estar social e ambiental, ao mesmo tempo que se vai recuperando o equilíbrio no tecido económico local. Este é de facto um barco pensado para fazer pontes que nem sempre são físicas.

Como é que “meia dúzia de pequenas empresas podem transformar os desafios globais”, alguns “com consequências absolutamente assustadoras”?

O já velhinho slogan do pensar global – agir local ainda está perfeitamente pronto a usar, diria mesmo que tem uma data de validade infinita. Temos todos a oportunidade de agir de forma proactiva em direcção a um futuro melhor e, para isso, temos que estimar e acalentar o dia de hoje, talvez por isso lhe chamemos ‘presente’. Pequenas coisas que geram grandes ondas, chamem-lhe o efeito borboleta ou uma espécie de bilhar cósmico. Acreditamos que quando se fazem coisas boas, coisas boas acontecem.

As alterações climáticas, a degradação ecológica, o lixo, o consumismo, o paradigma do petróleo, tudo isso nos afecta e por isso nos deve inspirar a procurar estímulos e alianças para criar as soluções possíveis que estejam ao nosso alcance. Nós estamos a construir barcos solares, e vocês?

De que modo o mercado de energia solar contribui já, a nível global, para o novo paradigma energético? Como se situa Portugal neste sector, face à Europa e ao resto do mundo?

Sendo o país mais ocidental da Europa, somos os últimos a despedirmo-nos do sol todos os dias. E quando olhamos para aqueles raios pós ocaso a iluminar as nuvens com todas as cores imaginárias ficamos maravilhados. Que belo espectáculo… e de borla! O sol é assim, generoso e de confiança, e no entanto ainda nos agarramos a um recurso finito que, ao gerar enorme crescimento e bem-estar durante os últimos 150 anos, trouxe também ao de cima o pior que há na ganância e luta pelo poder.

A democratização absoluta trazida pelo sol, os ventos, as ondas e marés, o calor da terra, vai destronar impérios mas vai fazer florescer muitas comunidades e regiões que ficaram sob o obscurantismo do culto do petróleo e das jogadas no grande xadrez mundial. Não me apetece falar em números, do que somos e do que os outros fazem. Antes quero falar do absurdo do tão pouco que ainda fazemos e do tanto que há para fazer.

Através de projectos sociais e ambientais como o SunSailer, que contributo pode dar o turismo – com enorme potencial de crescimento – ao desenvolvimento sustentável futuro?

‘Nosce Te Ipsum’, diziam os velhos gregos. Conhece-te a ti mesmo, e nos outros conhecemos tanto sobre nós próprios. Noutras paisagens, noutros contextos, noutras culturas, sempre debaixo do mesmo sol. O turismo está a desenvolver-se muito para além do praia-e-copos ou da colecção de carimbos no passaporte.

Milhões de pessoas deslocam-se todos os anos para fazer ‘volunturismo’, uma espécie de hibridização entre passeio e ajudar os outros. Milhões de famílias aproveitam as férias para levar as suas crianças e jovens a conhecer muitos dos locais históricos onde as várias civilizações cresceram e pereceram com o objectivo de lhes ensinar sobre a frágil e magnífica condição humana. Milhões de seniores (que não aceitam serem chamados de idosos) procuram experiências que realizem sonhos que foram ficando adiados e vibram com as novas ofertas de um turismo mais ecológico e responsável para com a sociedade e o ambiente.

Milhões de pessoas exercem pequenos negócios ou gerem organizações que dependem dos fluxos económicos vindos do turismo para criar melhores condições para as suas famílias e comunidades. O barco solar é uma de muitas opções para ajudar a tornar tudo isto possível, num novo ecossistema humano, algures entre a Terra mãe e o Sol que nos mantém a girar num cantinho minúsculo de um universo imenso.

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por Gabriela Costa

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PARCERIA | TÉCNICO SOLAR BOAT

Desde julho de 2015 que a Sun Concept é um dos principais patrocinadores do projeto TSB – Tecnico Solar Boat, um projecto desenvolvido no seio do Instituto Superior Técnico (IST) por um núcleo de alunos de arquitectura e engenharia naval, entre outras especialidades, que tem o objetivo de construir uma embarcação de competição movida a energia solar como objetivo participar na Solar 1 Monte Carlo Cup 2017, no Mónaco, e na Dutch Solar Challenge 2018, na Holanda.

Além do patrocínio direto através da cedência de um motor elétrico Torqueedo e de painéis solares, a Sun Concept tem vindo a desenvolver uma relação de proximidade com este grupo inovador no sentido de trocar conhecimentos para o desenvolvimento de novos modelos de embarcações eletro solares.

PARA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A TSB

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OS BARCOS SOLARES SÃO TÃO SIMPLES QUANTO PARECEM, NÃO…

Projecto português de uma empresa algarvia apresenta na Foz do Arelho e em Vila Nova de Cerveira um barco silencioso que não polui a água e quase não deixa esteira.

Um barco solar não precisa de combustível, nem de mudar o óleo, nem de filtros nem de velas. Também não polui as águas e é tão silencioso que é preciso apurar o ouvido para se ouvir o ligeiro zumbido que os seus dois motores eléctricos provocam.

Esta a sensação com que ficaram os convidados que ontem deram um passeio na lagoa de Óbidos num dos barcos da Sun Concept, a primeira empresa portuguesa a produzir barcos solares e também uma das primeiras a nível mundial que passou já a fase do protótipo e tem em carteira modelos para venda.

O Sunsailer tem três versões para seis, oito ou dez passageiros e trabalha com dois motores eléctricos de seis cavalos. Estes são alimentados por quatro baterias que recebem a energia solar de seis painéis fotovoltaicos implantados na própria embarcação. Tem uma velocidade de cruzeiro de 5 nós (e máxima de 6,5 nós) e um casco com 40 centímetros que foi expressamente desenhado (e patenteado) para não deixar esteira (rasto). O objectivo é não agitar as águas de lagoas e outras zonas húmidas onde o respeito pela natureza é fundamental.

O mercado alvo destes barcos são os operadores turísticos que navegam em zonas sensíveis do ponto de vista ambiental, mas Nuno Oliveira, da Sunsailer, diz que estas embarcações podem ser também barcos de recreio para famílias ou para pescadores, mariscadores e viveiristas.

Os preços oscilam entre os 24.600 e os 32.400 euros, valores que, segundo aquele responsável, estão alinhados com embarcações idênticas que usam combustível. “A nossa dificuldade tem sido explicar o óbvio: estes barcos não gastam dinheiro para navegar e a própria manutenção é 80% mais barata do que a de uma embarcação convencional”. Nuno Oliveira salienta ainda a facilidade que é chegar ao barco e dar à chave de ignição para o pôr a andar sem estar preocupado com o combustível.

A autonomia dos Sunsailers pode ser infinita quando há sol, mas de noite pode ainda navegar entre seis a nove horas à velocidade de 5 nós. E mesmo com nevoeiro, os raios solares alimentam os painéis fotovoltaicos.

Este projecto nasceu de “uma conversa de bar que se transformou numa conversa de barco”, diz o director comercial da empresa. Um biólogo, um contabilista e um construtor naval tiveram a ideia de fazer um barco solar e obtiveram o apoio de dois empresários. A empresa Sun Concept nascia assim em Olhão em Maio de 2015. O primeiro protótipo foi lançado à água em Março de 2016. Desde então só foram vendidos três barcos, mas Nuno Oliveira diz que nos próximos três meses deverá assinar a venda de, pelo menos, mais cinco.

“Estamos neste momento num limbo, a fazer promoção, mas não temos dúvidas que vai haver uma explosão de encomendas”, diz. A empresa conta com 10 trabalhadores, mas espera ainda criar mais postos de trabalho. Ser auto-sustentável é uma das suas premissas e por isso tencionam construir um estaleiro ecológico na ria Formosa nuns armazéns antigos que deverão ser recuperado e onde as pessoas que compram os seus barcos podem também deixá-los ali estacionados. E como estes, mesmo parados, continuam a produzir energia eléctrica, a ideia é aproveitá-la para os estaleiros, que remunerarão os proprietários das embarcações pela electricidade que consome.

Além do mercado português, que é rico em zonas lagunares, a empresa pretende, naturalmente, internacionalizar-se. “É possível descer a França por entre os canais até ao Mediterrâneo. Na Alemanha e na Holanda há canais por todo o lado. E a Suíça com os seus lagos e as leis de restrição às embarcações poluentes, é também um mercado incrível”, diz, optimista, o director da empresa.

Projectos não faltam para os barcos solares, que incluem catamarans e navios de cruzeiro para, por exemplo, navegar no Douro, até ao “projecto mais louco de todos que é um carro-barco-submarino totalmente movido a energia solar com o qual se possa dar a volta ao mundo”.

Nuno Oliveira diz que no futuro os painéis fotovoltaicos podem praticamente cobrir toda a superfície de uma embarcação e que nada é impossível para fabricar os mais diversos tipos de navios silenciosos e que “navegam à velocidade da luz [do Sol]”. E remata: “ideias não nos faltam e todas exequíveis, mas o problema é que é mais fácil fazer um barco de meio milhão de euros do que um de 30 mil euros e estes são, para já, o nosso mercado alvo”.

por Carlos Cipriano